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Ato em SP condena uso de escola pública em filme anti-Paulo Freire

Manifestantes protestam na Praça Roosevelt contra produção da Brasil Paralelo que critica educação e o Patrono da Educação Brasileira, questionando autorização da prefeitura.

18/04/2026 às 21:32
Por: Redação

Professores, pais de alunos, representantes de sindicatos e parlamentares se reuniram neste sábado (18) na capital paulista para um ato de repúdio. O protesto foi organizado contra a utilização de uma escola infantil municipal como cenário para a gravação de um filme produzido pela Brasil Paralelo. A obra, intitulada Pedagogia do Abandono, ainda não foi lançada e é acusada de difamar a educação pública e o educador Paulo Freire, reconhecido como patrono da Educação Brasileira.

 

A manifestação ocorreu como uma aula pública na Praça Roosevelt, localizada em frente à Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Patrícia Galvão (Pagu). Foi nesse local que a produtora realizou as filmagens para o projeto.

 

A Brasil Paralelo é conhecida por produzir conteúdo voltado para a extrema-direita. A empresa já enfrentou questões legais; parte de seus colaboradores se tornou réu devido à produção de outro filme, A Investigação Paralela: o Caso Maria da Penha. A Justiça do Ceará aceitou uma denúncia do Ministério Público estadual e considerou dois colaboradores da produtora réus, sob suspeita de envolvimento em uma campanha de ódio direcionada a Maria da Penha, figura emblemática na luta contra a violência doméstica.

 

“A gente está aqui para dizer que Paulo Freire está presente. Ele está presente nas nossas escolas, nos nossos pensamentos, nos nossos estudos, e não só na EMEI Patrícia Galvão. Ele está presente na cidade toda, no Brasil a fora e fora do Brasil inclusive”, afirmou Sandra Regina Bouças, diretora da Emei Patrícia Galvão.


 

A diretora Sandra Regina Bouças optou por não conceder entrevista à imprensa. No entanto, em uma carta divulgada em suas redes sociais, ela questionou a legitimidade da produção que utilizou as instalações internas da escola. As gravações haviam sido autorizadas previamente pela prefeitura de São Paulo.

 

Na carta, Sandra Bouças expressou sua preocupação: “Identificamos que se trata de um projeto para destruir a educação pública, bem como a imagem de Paulo Freire com identificações muito equivocadas. Será que há, nesta proposição, uma tentativa de contribuir com as ideias de que a terceirização/privatização da Educação Infantil seria a solução para uma educação de qualidade?”.

 

Ainda no documento, a diretora revelou que só tomou conhecimento da identidade da produtora na véspera das filmagens. “Na noite anterior à data marcada para a agravação, fomos surpreendidas por um termo de anuência em nome da Brasil Paralelo", relatou. "Era a produtora responsável por vídeos de caráter marcadamente ideológico, em que diversas produções têm por objetivo descaracterizar e objetificar o ensino público pejorativamente”, completou em seu texto.

 

Denise Carreira, professora da Faculdade de Educação da USP (FEUSP) e educadora popular, ressaltou que a iniciativa da produtora visa enfraquecer políticas públicas de natureza social e racial, além da agenda de gênero.

 

“Precisamos estar atentas contra esse absurdo. E defender a escola democrática, a escola que promova uma educação transformadora baseada no pensamento, na trajetória, na ação de Paulo Freire”, acrescentou a professora.


 

Eduarda Lins, mãe de uma aluna da Emei Patrícia Galvão, elogiou o trabalho dos funcionários da escola, mas criticou a produtora e a administração municipal. “Quando a gente descobre que a nossa prefeitura está disponibilizando um espaço público para uma empresa privada com fins, no mínimo, obscuros, que inclusive está sendo investigada pelo MP, dói no nosso coração”, declarou.

 

Posicionamento da Prefeitura

 

A Spcine, órgão responsável, esclareceu que recebeu a solicitação para a gravação. Após uma análise técnica realizada pela SP Film Commission, que gerencia e encaminha os pedidos de filmagem, a autorização para as gravações foi concedida.

 

Em nota, a Spcine afirmou que “O procedimento é padrão e foi o mesmo adotado em todas as outras 253 solicitações feitas ao município para essa finalidade até o momento em 2026. Somente no ano passado, foram autorizadas mais de mil gravações". A instituição também salientou que a verificação de aspectos legais, como o uso de imagem e a participação de menores, é de total responsabilidade dos produtores.

 

A Agência Brasil informou que tentou entrar em contato com a produtora Brasil Paralelo, mas não obteve retorno até o momento da publicação.

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