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Douglas Ruas assume presidência da Assembleia Legislativa do RJ após votação aberta

Deputado do PL foi escolhido com 44 votos favoráveis em sessão marcada por boicote da oposição

17/04/2026 às 21:32
Por: Redação

Na manhã desta sexta-feira, Douglas Ruas, deputado estadual pelo Partido Liberal, foi escolhido como novo presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) durante uma sessão marcada por tentativas de obstrução por parte de parlamentares. Dos 45 deputados que estavam presentes no plenário, 44 votaram a favor da eleição de Ruas, enquanto uma abstenção foi registrada.

 

Os partidos de oposição – PSD, MDB, Podemos, PR, PSB, Cidadania, PCdoB e PSOL – optaram por não participar da sessão por discordarem da modalidade de votação aberta. Segundo esses partidos, o voto aberto poderia expor parlamentares a pressões e represálias políticas, motivo pelo qual defendiam a votação secreta para o pleito.

 

Ao todo, 25 deputados estaduais se ausentaram da votação realizada nesta sexta-feira. Jari Oliveira, do PSB, foi o único deputado de oposição que participou da sessão, votando remotamente, mas apenas para o cargo de 2º secretário da mesa diretora. Neste cargo, Dr Deodalto foi eleito com 45 votos.

 

A solicitação dos partidos contrários à votação aberta foi rejeitada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) em decisão tomada na quinta-feira, quando o pedido feito pelo PDT para que a eleição ocorresse de forma secreta foi negado.

 

“Votaram 45 deputados, 44 votos sim e uma abstenção. Para a presidência, o meu irmão Douglas Ruas está eleito e empossado como presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Peço que o mesmo venha assumir a presidência”, declarou Guilherme Delaroli, também do Partido Liberal, que comandava a sessão.


 

Guilherme Delaroli vinha assumindo a presidência da Alerj após o afastamento do então presidente Rodrigo Bacellar, que chegou a ser preso sob a acusação de vazar informações sigilosas relacionadas à Operação Unha e Carne. Essa operação investiga o ex-deputado estadual TH Joias por supostas relações com o grupo Comando Vermelho.

 

No dia 27 de março deste ano, Rodrigo Bacellar foi preso novamente pela Polícia Federal. Já em dezembro de 2025, Bacellar havia sido detido, mas foi liberado após decisão do plenário da Assembleia Legislativa.

 

O Supremo Tribunal Federal formou maioria para manter a cassação do mandato de Rodrigo Bacellar, conforme decisão recente.

 

Novo comando na Alerj durante período de instabilidade política

 

Após ser oficialmente empossado, Douglas Ruas fez um discurso em que direcionou críticas ao PSD e ao PDT por tentarem inviabilizar a votação aberta, que segundo ele seria um processo mais democrático para a escolha do novo presidente do Legislativo fluminense.

 

No discurso, Ruas destacou que o estado do Rio de Janeiro vivenciava uma situação inédita, com interinidade nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. O deputado ressaltou que o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto, estava exercendo momentaneamente o cargo de governador, enquanto a desembargadora Suely Lopes Magalhães conduzia o Judiciário de forma interina. No Legislativo, havia também uma gestão temporária aguardando a definição do novo presidente.

 

“No governo do estado do Rio de Janeiro, também interinidade no Judiciário, tendo em vista que o presidente daquele poder [desembargador Ricardo Couto] está exercendo cargo de governador, e lá está a desembargadora [Suely Lopes Magalhães] de forma interina conduzindo aquele poder e também tínhamos uma interinidade no poder legislativo”, afirmou Douglas Ruas.


 

Ao se dirigir aos colegas, o novo presidente da Alerj afirmou que pretende atuar para todos os 70 deputados estaduais que compõem a Casa. Ruas expressou agradecimento a cada um dos parlamentares que lhe confiaram essa atribuição, enfatizando que se trata de uma missão coletiva, focada no diálogo e na busca de soluções em benefício da população do Rio de Janeiro.

 

Douglas Ruas já havia sido eleito anteriormente presidente da Alerj em uma votação rápida, mas a eleição foi anulada por decisão da presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O entendimento da Justiça era de que o processo eleitoral só poderia ser iniciado após a retotalização dos votos dos parlamentares pelo Tribunal Regional Eleitoral, em razão da cassação do mandato de Rodrigo Bacellar.

 

O cenário político do Rio de Janeiro, portanto, permanece marcado por disputas judiciais e reorganizações nos principais cargos dos poderes estaduais.

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