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Vacinação falha traz sarampo de volta às Américas, diz Opas

Diretor da organização enfatiza que principal obstáculo é o acesso à imunização e a percepção de baixo risco, apesar de dados alarmantes de casos e mortes na região.

23/04/2026 às 21:19
Por: Redação

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) destacou, nesta quinta-feira (23), que o maior desafio para conter o retorno do sarampo nas Américas não reside na falta de vacinas disponíveis, mas sim na dificuldade de alcançar as populações que ainda não foram imunizadas.

 

Jarbas Barbosa, diretor da Opas, explicou que a baixa percepção de perigo da doença, a escassez de informações claras e os impedimentos no acesso à vacinação contribuem para a disseminação do vírus, que reaparece quando as coberturas vacinais diminuem.

 

“Há uma percepção de baixo risco [da doença], há falta de informação e há obstáculos ao acesso [à vacina], que terminam por contribuir com essa situação. E, quando a cobertura dessa vacina cai, o vírus volta. É simples assim. O sarampo é uma das doenças mais infecciosas conhecida.”

 

Barbosa relembrou que as Américas foram pioneiras globais na erradicação do sarampo, alcançando esse marco em 2016. Contudo, a região perdeu essa condição em 2018, reconquistou-a em 2024 e, lamentavelmente, a perdeu novamente no ano subsequente.

 

Os dados fornecidos pela Opas revelam um aumento preocupante. Em 2025, foram notificados 14.767 casos confirmados de sarampo em treze nações americanas, um número 32 vezes superior ao registrado no ano anterior. Além disso, 32 óbitos foram associados à doença naquele período.

 

A situação persistiu em 2026, com 15,3 mil casos confirmados até o início de abril. México, Guatemala, Estados Unidos e Canadá foram os países com a maior incidência. No primeiro trimestre de 2026, pelo menos onze mortes foram comunicadas, a maioria entre grupos populacionais mais vulneráveis, que enfrentam maiores barreiras para obter serviços e assistência médica.

 

“Esse retorno do sarampo às Américas significa um atraso e precisamos realmente reverter isso por meio de ação decisiva.”

 

O diretor da Opas ressaltou que apenas um único caso de sarampo possui o potencial de gerar um surto, caso a cobertura vacinal não atinja e se mantenha acima de 95% com as duas doses recomendadas no esquema.

 

Ao longo dos últimos 25 anos, a imunização contra o sarampo foi fundamental para prevenir mais de 6 milhões de óbitos em todo o continente americano, conforme informações da Opas.

 

“Já eliminamos o sarampo e podemos fazer de novo. Mas isso vai requerer compromisso político sustentável, investimentos em saúde pública e também ações decisivas para reconstruir a confiança nas vacinas e combater a desinformação. Tenho confiança de que poderemos recuperar o status da região como livre do sarampo. Já fizemos isso duas vezes e podemos fazer uma terceira vez.”

 

Situação no Brasil

 

Apesar do cenário de reaparecimento regional, o Brasil conseguiu manter seu status de país livre da circulação endêmica do vírus do sarampo, um reconhecimento obtido em 2024.

 

Em 2025, o país registrou 3.952 casos suspeitos da doença. Desses, 3.841 foram descartados, 46 permaneceram em investigação e 38 foram confirmados. Entre os casos confirmados, dez foram categorizados como importados, 25 como relacionados à importação e três tiveram suas fontes de infecção classificadas como desconhecidas.

 

No ano de 2026, até meados de março, foram contabilizados 232 casos suspeitos no Brasil. Dois casos foram confirmados: uma criança de seis meses de idade, residente em São Paulo, com histórico de viagem à Bolívia; e uma jovem de 22 anos, moradora do Rio de Janeiro, cuja investigação ainda está em curso. Ambas as pessoas não haviam sido vacinadas contra o sarampo.

 

Entendendo o Sarampo

 

O sarampo é uma enfermidade viral aguda, de natureza altamente infecciosa e com potencial de gravidade. Sua principal via de transmissão ocorre pelo ar, através de gotículas respiratórias liberadas ao tossir, espirrar, falar ou simplesmente respirar. O vírus possui capacidade de se espalhar rapidamente em ambientes com alta densidade populacional.

 

Os sintomas característicos da doença incluem febre, tosse, coriza e perda de apetite. Manifesta-se também por conjuntivite, que se apresenta com olhos avermelhados, lacrimejantes e sensibilidade à luz (fotofobia).

 

Adicionalmente, surgem manchas vermelhas na pele, que inicialmente aparecem no rosto, especificamente atrás das orelhas, e subsequentemente se disseminam por todo o corpo. O paciente pode ainda relatar dor de garganta.

 

Em fases posteriores, a pele pode apresentar descamação, assemelhando-se a uma queimadura. Complicações graves do sarampo podem englobar cegueira, pneumonia e encefalite, que é a inflamação do cérebro.

 

Como Prevenir: A Vacinação

 

A vacinação representa a estratégia mais eficaz para a prevenção do sarampo. Este imunizante é disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e faz parte do esquema vacinal básico para crianças.

 

A primeira dose da vacina tríplice viral, que confere proteção contra sarampo, caxumba e rubéola, deve ser administrada aos 12 meses de idade. A segunda dose é aplicada quando a criança completa 15 meses.

 

É fundamental que qualquer indivíduo com idade inferior a 59 anos que não possua comprovante de vacinação completa ou cujo esquema vacinal esteja incompleto procure um posto de saúde para atualizar sua carteira de imunização.

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