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MIS de São Paulo recebe maior exposição dedicada a Janis Joplin

Mais de 300 itens originais da cantora podem ser vistos em dez salas temáticas no museu

17/04/2026 às 13:46
Por: Redação

Uma exposição inédita dedicada à cantora Janis Joplin foi aberta no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, trazendo ao público mais de 300 itens originais da artista, entre figurinos, acessórios, manuscritos, os óculos icônicos, uma estola de penas e outros objetos guardados pela família e nunca antes exibidos.

 

Em agosto de 1969, a mãe de Janis, Dorothy, compartilhou em uma carta o quanto achava estranho ver a filha ser chamada de "rainha" ou "deusa" pela mídia, ao mesmo tempo em que lamentava que Janis já não lhe escrevia mais, preferindo telefonar de vez em quando. Naquele mesmo mês, Janis se apresentava no festival de Woodstock, consolidando sua posição como uma das maiores vozes do rock mundial, fato que ainda surpreendia sua mãe.

 

Segundo Chris Flannery, responsável pelo projeto expositivo, a ideia ganhou corpo após ele conhecer o administrador do espólio de Janis Joplin, durante a organização de uma mostra anterior dedicada a B.B. King no MIS. O contato resultou na apresentação de uma lista de artefatos e diversas imagens do acervo de Janis, possibilitando a realização do evento.

 

“Esta será a maior exposição de Janis já realizada em qualquer lugar do mundo.”


 

Entre os objetos expostos, estão roupas, acessórios e desenhos da cantora. De acordo com Flannery, a mostra apresenta facetas pouco conhecidas da artista: além de cantora, Janis também se dedicava às artes plásticas, e o público poderá conhecer sua produção nesse campo por meio de escritos e ilustrações originais.

 

Os ingressos para visitar a exposição custam 30 reais (meia-entrada) e 60 reais (inteira). Às terças-feiras, exceto em feriados, a entrada é gratuita para todos os visitantes.

 

Cenografia imersiva e homenagens a ícones do rock

 

O MIS apresenta, pela terceira vez, uma exposição dedicada a grandes nomes femininos do rock. Antes de homenagear Janis Joplin, o museu já havia promovido mostras celebrando as carreiras de Rita Lee e Tina Turner.

 

O diretor-geral do museu e curador da exposição, André Sturm, ressaltou que o contexto histórico do final dos anos 1960 e início da década de 1970 está diretamente relacionado à música, ao rock, à contracultura e à liberdade sexual, e que Janis Joplin se tornou um dos principais símbolos desse período.

 

A exposição foi montada no primeiro andar do museu e conta com uma cenografia psicodélica e imersiva, desenvolvida para proporcionar uma experiência sensorial ao público. O percurso é formado por dez salas temáticas, cada uma abordando sentimentos ou aspectos marcantes da trajetória e da personalidade da cantora.

 

“Quando ela canta, ela se entrega completamente, e ela teve uma vida muito intensa em todos os sentidos. Se o que mais marca a Janis é a emoção, vou fazer uma exposição e dividi-la pelas emoções muito presentes na vida dela.”


 

Uma das salas recebeu o nome de Amor Brasil e traz registros da passagem de Janis pelo país, durante o carnaval do Rio de Janeiro em 1970. O material sobre essa visita inclui fotografias, vídeos e até um trecho de uma carta enviada por Janis à mãe enquanto estava no Brasil. O diretor do museu destacou que a cantora demonstrou muita felicidade durante sua estadia no país.

 

Trajetória e legado de Janis Joplin

 

Janis Joplin nasceu em Port Arthur, no Texas, em 1943, e desenvolveu desde a adolescência uma voz marcante, rouca e potente. Inspirou-se em artistas como Leadbelly, Bessie Smith e Big Mama Thornton, cujas trajetórias influenciaram fortemente sua escolha de seguir carreira musical.

 

No ensino médio, ela participou de grupos de música folk e mostrou interesse pela pintura. Mais tarde, frequentou brevemente faculdades em Beaumont e Austin, mas acabou se sentindo mais atraída por blues e poesia beat do que pelos estudos acadêmicos.

 

Em 1963, optou por abandonar a faculdade e mudar-se para São Francisco, onde se estabeleceu no bairro Haight-Ashbury, conhecido pelo ambiente boêmio e pelo uso de drogas. Nesse período, conheceu o guitarrista Jorma Kaukonen, futuro integrante da banda de rock Jefferson Airplane. Juntos, eles gravaram canções acompanhados por Margareta, esposa de Jorma, que tocava máquina de escrever.

 

Após retornar ao Texas, Janis se matriculou em sociologia na Universidade Lamar. Porém, voltou à Califórnia em 1966 para iniciar sua curta, porém intensa, carreira musical de pouco mais de quatro anos.

 

Seu talento vocal logo chamou atenção do grupo Big Brother and the Holding Company, expoente da cena psicodélica de São Francisco. Com a banda, gravou os álbuns "Big Brother and the Holding Company" (1967) e "Cheap Thrills" (1968).

 

Em seguida, Janis seguiu carreira solo, lançando "I Got Dem Ol’ Kozmic Blues Again Mama" (1969) e "Pearl" (1971), este último lançado postumamente.

 

Janis Joplin faleceu em 4 de outubro de 1970, aos 27 anos, devido a uma overdose de heroína, poucos dias após a morte de outro ícone do rock, Jimi Hendrix.

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