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Lula promete reciprocidade após saída de delegado brasileiro dos EUA

Presidente afirma que Brasil responderá na mesma medida à expulsão de policial federal envolvido em caso Ramagem

21/04/2026 às 16:37
Por: Redação

Durante viagem oficial à Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou sobre a decisão do governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, de solicitar que um delegado da Polícia Federal do Brasil deixe o território norte-americano. O policial brasileiro envolveu-se no caso de prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem em solo estadunidense.

 

Lula afirmou que, ao ser informado sobre o ocorrido na manhã desta terça-feira (21), considerou a atitude do governo americano como possível abuso. O presidente defendeu a adoção de medidas equivalentes por parte do Brasil.

 

“Não sei o que aconteceu. Fui informado hoje de manhã. Acho que, se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa”, disse Lula.


 

O presidente destacou ainda que o governo brasileiro deseja atuar de maneira correta em suas relações internacionais, mas rejeita condutas que representem interferência indevida ou abuso de autoridade de agentes americanos em relação ao Brasil.

 

O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos anunciou, na segunda-feira (20), que havia determinado a saída de um funcionário brasileiro do país. Embora o comunicado não mencionasse nomes, referia-se a um delegado da Polícia Federal ligado à prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem.

 

Segundo publicação feita pelo órgão estadunidense na rede social X, o funcionário brasileiro teria buscado meios de contornar os procedimentos formais de cooperação jurídica existentes entre os dois países.

 

“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso.”


 

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi libertado na quarta-feira (15), após passar dois dias detido em uma unidade da imigração na Flórida, nos Estados Unidos.

 

Ramagem exerceu a função de diretor na Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Em decisão proferida no ano anterior, o Supremo Tribunal Federal condenou o ex-deputado a dezesseis anos de prisão, em processo penal referente a uma tentativa de golpe de Estado.

 

Com a condenação, Ramagem perdeu o mandato parlamentar, deixou o Brasil para evitar cumprir a sentença e passou a residir oficialmente nos Estados Unidos.

 

Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes expediu decisão determinando que o Ministério da Justiça e Segurança Pública encaminhasse pedido formal de extradição do ex-deputado às autoridades americanas.

 

Neste mês, a Polícia Federal informou que agentes de imigração dos Estados Unidos efetuaram a prisão de Ramagem como consequência de ação conjunta entre os sistemas policiais dos dois países, fruto de cooperação internacional vigente.

 

Conforme informações da corporação, a detenção ocorreu na cidade de Orlando. Ramagem atualmente é considerado foragido pela Justiça brasileira, devido à condenação por crimes como participação em organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

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