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Dourados declara calamidade por chikungunya e inicia vacinação dia 27

Cidade enfrenta alta de casos e lotação hospitalar; aplicação da vacina terá triagem e público restrito

22/04/2026 às 17:14
Por: Redação

A prefeitura de Dourados, em Mato Grosso do Sul, declarou estado de calamidade em saúde pública diante do aumento expressivo de casos de chikungunya na cidade. Inicialmente restrita à Reserva Indígena local, a infecção viral passou a ser registrada também em diversos bairros urbanos do município.

 

Em 20 de março, foi publicado decreto que reconhecia a situação de emergência em saúde pública. Após uma semana, um novo ato oficializou emergência em defesa civil, abrangendo localidades mais afetadas pela doença. Agora, um terceiro decreto foi editado, seguindo recomendações do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), criado para organizar as ações tanto na reserva indígena quanto nas áreas urbanas de Dourados.

 

O boletim divulgado pela prefeitura destaca que o município enfrenta um quadro epidemiológico preocupante, ultrapassando 6.186 notificações de casos prováveis de chikungunya. Segundo as autoridades municipais, a taxa de positividade do exame atinge 64,9%.

 

Informações apuradas pelo Departamento de Gestão do Complexo Regulador do município mostram que a demanda por internações superou a capacidade instalada, levando a uma taxa de ocupação de leitos próxima a 110%. Conforme consta no comunicado oficial, tal cenário implica "impossibilidade de resposta assistencial oportuna até mesmo para casos graves".

 

A vigência do decreto de calamidade em saúde pública está prevista para 90 dias.

 

Campanha de vacina terá início e público-alvo limitado

A vacinação contra chikungunya em Dourados está programada para começar na próxima segunda-feira, dia 27. As primeiras doses chegaram ao município na noite da sexta-feira anterior, 17 de maio.

 

Nos dias 22 e 23 de maio, as equipes da prefeitura promovem capacitação específica para profissionais de enfermagem, buscando orientá-los sobre restrições da vacina e sobre a identificação de comorbidades antes da aplicação.

 

O Ministério da Saúde estabeleceu que o grupo apto a receber o imunizante compreende pessoas entre 18 e 59 anos. A meta inicial da campanha é vacinar cerca de 27% deste público, o que corresponde a aproximadamente 43 mil habitantes.

 

A administração municipal detalhou as contraindicações para aplicação da vacina:

 

  • Gestantes ou mulheres em período de amamentação não devem ser vacinadas;
  • Pessoas em uso de medicamentos imunossupressores, como corticóides em doses elevadas, estão excluídas;
  • Indivíduos com imunodeficiência congênita;
  • Pessoas que estejam em tratamento oncológico com quimioterapia ou radioterapia;
  • Transplantados de órgão sólido;
  • Pessoas que receberam transplante de medula óssea há menos de dois anos;
  • Indivíduos portadores de HIV/aids;
  • Pessoas diagnosticadas com doenças autoimunes, como lúpus ou artrite reumatoide;
  • Quem apresentar pelo menos duas doenças crônicas, entre elas diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmia cardíaca, doença pulmonar crônica, doença renal crônica, obesidade, doença hepática crônica e câncer - tanto em tratamento quanto em remissão.

 

Além desses critérios, a vacina não deverá ser aplicada em quem teve diagnóstico de chikungunya nos 30 dias anteriores, apresentar febre alta no momento da imunização, tiver recebido outra vacina de vírus atenuado nos últimos 28 dias ou vacina de vírus inativado nos 14 dias prévios à data da aplicação.

 

A expectativa da prefeitura é que o ritmo de vacinação seja mais lento, pois todos os integrantes do público-alvo passarão por avaliação médica prévia. A distribuição dos imunizantes para todas as salas de vacinação do município, inclusive nas unidades de saúde indígenas, está marcada para o dia 24 de maio.

 

O calendário municipal inclui ainda uma ação de vacinação em sistema drive-thru no feriado de 1º de maio, Dia do Trabalho, das 8h ao meio-dia, no pátio da prefeitura.

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a vacina contra chikungunya em abril de 2025, e a estratégia do Ministério da Saúde é iniciar a aplicação em regiões consideradas de risco elevado para transmissão, contemplando cerca de 20 municípios em seis estados.

 

Em nota, a administração municipal explicou que a escolha dos municípios seguiu critérios como fatores epidemiológicos, circulação do vírus, dimensão populacional e viabilidade operacional para introdução da nova vacina em curto prazo.

 

Cenário epidemiológico e números da doença

Até o último dia 20, Dourados reportou 4.972 casos prováveis de chikungunya, dos quais 2.074 foram confirmados em laboratório. Outros 1.212 casos foram descartados e 2.900 permanecem sob investigação. O município já contabiliza oito óbitos em razão de complicações decorrentes da doença, sendo sete dessas vítimas residentes na reserva indígena.

 

Investimento federal no combate à chikungunya

No fim de março, foi liberado pelo Ministério da Saúde um aporte emergencial de novecentos mil reais para reforçar as ações de vigilância, assistência e controle das infecções por chikungunya em Dourados. De acordo com a pasta, o repasse será efetuado em parcela única, transferida do Fundo Nacional de Saúde ao fundo municipal.

 

Os recursos federais poderão ser empregados em iniciativas de intensificação da vigilância em saúde, controle do mosquito Aedes aegypti, qualificação da assistência e apoio às equipes de atendimento direto à população.

 

Características da chikungunya e histórico da doença no Brasil

A chikungunya é uma arbovirose causada por vírus transmitido por fêmeas infectadas do gênero Aedes. No Brasil, até o momento, o único vetor identificado é o Aedes aegypti.

 

O vírus chegou ao continente americano em 2013 e, desde então, gerou epidemias em diversos países da América Central e no Caribe. Laboratórios brasileiros confirmaram os primeiros casos no país no segundo semestre de 2014, nos estados do Amapá e da Bahia. Atualmente, todas as unidades federativas registram transmissão da arbovirose.

 

O Ministério da Saúde aponta que, em 2023, houve ampliação significativa da área de circulação do vírus, principalmente em estados da Região Sudeste. Anteriormente, a incidência estava majoritariamente concentrada na Região Nordeste.

 

Edema e dor articular de intensidade incapacitante estão entre as principais manifestações clínicas da infecção por chikungunya, podendo ainda ocorrer sintomas extra-articulares. Em situações graves, pode ser necessária a hospitalização, inclusive com risco de morte.

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