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Trabalhadores informais realizam novo protesto contra programa Tolerância Zero no Rio de Janeiro

Manifestação de ambulantes no Rio de Janeiro ocorre após pedido do MPF para suspender fiscalização intensa da prefeitura

18/07/2026 às 21:16
Por: Redação

Camelôs, vendedores ambulantes e trabalhadores informais se reuniram novamente no sábado, 19 de julho, em frente ao Hotel Fasano, localizado em Ipanema, para promover mais um protesto contra o programa Tolerância Zero, iniciativa da Prefeitura do Rio de Janeiro que intensificou a fiscalização do comércio ambulante na orla da zona sul da cidade.

 

Essa manifestação marcou o quarto ato consecutivo dos ambulantes na semana, ocorrendo um dia após o Ministério Público Federal (MPF) solicitar judicialmente a suspensão do programa.

 

Com o uso de panelas, apitos, tambores e entoando gritos como "Unidos podemos trabalhar", os trabalhadores ambulantes buscaram dar visibilidade ao que classificam como uma criminalização da sua atividade e reivindicaram a abertura de um canal de negociação com a administração municipal.

 

A coordenadora do Movimento Unido dos Camelôs (Muca), Maria de Lourdes do Carmo, conhecida como Maria dos Camelôs, afirmou que as mobilizações persistirão enquanto não houver diálogo com o poder público.

 

"Vai ter ato todos os dias. As pessoas já estão se organizando para voltar às ruas. Esse é o quarto dia seguido de manifestação, além da mobilização da semana passada. A gente não vai abaixar a cabeça diante da criminalização que estão fazendo com a categoria", declarou.

 

Maria ressaltou que os trabalhadores apoiam o ordenamento do comércio ambulante, porém exigem que o município faça distinção entre vendedores informais e organizações criminosas, além de avançar no processo de regularização daqueles que aguardam autorização para exercer a atividade.

 

Segundo ela, a reivindicação principal é o direito ao trabalho, enfatizando que enquanto são favoráveis ao combate às irregularidades, não aceitam que toda a categoria seja tratada como criminosa, especialmente considerando que muitos aguardam há anos pela licença da prefeitura.

 

Intervenção do Ministério Público Federal

 

Na sexta-feira, 18 de julho, o Ministério Público Federal ingressou com uma ação civil pública requerendo a imediata suspensão do programa Tolerância Zero.

 

O MPF argumenta que a prefeitura implementou uma política contínua de fiscalização da orla sem respeitar as normas federais que regulam a gestão das praias e dos bens da União.

 

Além disso, o órgão solicitou que a União e o município desenvolvam, conjuntamente, um plano que harmonize o ordenamento urbano, o enfrentamento ao crime organizado e a proteção dos direitos dos trabalhadores ambulantes.

 

O procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo, apontou que a medida foi adotada sem consulta prévia à União, sem envolver a sociedade e sem apresentar alternativas para regularizar os milhares de ambulantes que dependem dessa atividade para sua subsistência.

 

Em resposta à ação do MPF, o prefeito em exercício, Eduardo Cavaliere, declarou por meio de suas redes sociais que o programa continuará em vigor.

 

Ele classificou o pedido do Ministério Público como uma "absoluta inversão de valores" e defendeu a competência constitucional da prefeitura para atuar no ordenamento urbano e no combate às organizações criminosas que exploram ilegalmente o comércio ambulante na orla.

 

Cavaliere ressaltou que a fiscalização tem como objetivo enfrentar essas organizações criminosas e assegurar a autoridade do poder público sobre o espaço urbano.

 

Maria dos Camelôs criticou a postura do prefeito, descrevendo como insuficiente a falta de diálogo com os trabalhadores.

 

"A resposta do prefeito foi desrespeitosa com o Ministério Público e com o procurador Julio Araujo. Além disso, continua sem abrir uma mesa de negociação com os trabalhadores e segue criminalizando um setor importante, que faz a roda da economia girar e tem papel relevante para a sociedade", afirmou.

 

A coordenadora anunciou que o movimento pretende ampliar sua articulação institucional nas semanas seguintes. Segundo ela, representantes dos trabalhadores já iniciaram contatos com a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e planejam levar suas reivindicações ao governo federal.

 

"Nosso próximo passo é fazer uma denúncia ao governo federal. Já começamos a conversar com a SPU e queremos tratar diretamente desse assunto com o governo. Queremos um cessar-fogo nesta guerra entre a prefeitura e os trabalhadores", concluiu.

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