O programa Tesouro Direto alcançou, em março, seu maior volume de vendas desde a criação em 2002, movimentando 14,79 bilhões de reais em títulos públicos adquiridos por pessoas físicas por meio da internet.
Segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta segunda-feira (27), esse montante representa um aumento de 79,2% em relação a fevereiro, quando o valor registrado foi de 8,2 bilhões de reais. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o crescimento foi de 26,5%.
O principal responsável pelo recorde foi o vencimento de 7,07 bilhões de reais em títulos indexados à taxa Selic, considerada a taxa básica de juros do país. Após o vencimento, os investidores optaram por reinvestir em títulos do mesmo tipo.
O último recorde mensal do Tesouro Direto havia sido registrado em janeiro deste ano, em função da troca de títulos prefixados, que foram substituídos por outros papéis.
Os títulos mais adquiridos em março foram aqueles corrigidos pela Selic, que corresponderam a 52,7% do total das vendas. Já os títulos atrelados à inflação, com rendimento baseado no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), representaram 24%. Os títulos prefixados, com taxa de juros definida no momento da emissão, responderam por 15,1% das operações realizadas.
O Tesouro Renda+, criado no início de 2023 para financiar aposentadorias, participou com 6,5% das vendas. Já o Tesouro Educa+, lançado em agosto de 2023 com o objetivo de formar uma poupança para o ensino superior, respondeu por 1,6% do total vendido no mês de março.
A procura elevada pelos títulos indexados à Selic reflete o patamar elevado da taxa básica de juros. Até setembro de 2024, a Selic estava fixada em 10,5% ao ano, mas, após reajuste, passou para 14,75% ao ano, mantendo a atratividade desses papéis para investidores.
Títulos ajustados pela inflação também têm tido boa aceitação devido à expectativa de aceleração da inflação oficial nos próximos meses.
No fim de março, o estoque total de títulos no Tesouro Direto atingiu 234,42 bilhões de reais, o que representa um aumento de 3,29% ante fevereiro (quando estava em 226,93 bilhões de reais) e de 41,99% na comparação com março do ano passado (165,09 bilhões de reais). Esse crescimento foi impulsionado tanto pela atualização dos valores por juros quanto pelo fato das vendas terem superado os resgates em 3,78 bilhões de reais no período.
Em março, o programa registrou a entrada de 288.041 novos investidores, elevando o total de participantes para 35.097.988 pessoas.
Nos últimos 12 meses, houve avanço de 9,78% no número de investidores cadastrados. Já o total de investidores ativos, ou seja, aqueles com operações em aberto, alcançou 3.418.225, crescimento de 15,97% em um ano.
A forte presença de pequenos investidores no Tesouro Direto ficou evidente, já que 73% das 1.224.134 operações realizadas em março envolveram valores de até cinco mil reais.
Aplicações de até mil reais corresponderam a 45,6% das transações efetuadas no mês, enquanto o valor médio por operação chegou a 12.083,06 reais.
A preferência dos investidores tem sido por títulos com vencimento de curto prazo. As vendas de papéis com prazo de até cinco anos representaram 58,2% do total. Operações com vencimento entre cinco e dez anos responderam por 20,9%. Já os títulos com prazos superiores a dez anos foram responsáveis por outros 20,9% das vendas.
O Tesouro Direto foi instituído em janeiro de 2002 com o objetivo de democratizar o acesso a investimentos em títulos públicos, permitindo que pessoas físicas adquirissem esses papéis diretamente, por meio da internet, sem depender da intermediação de instituições financeiras.
A única taxa cobrada sobre as operações é destinada à B3, a bolsa de valores brasileira, e incide sobre as movimentações dos títulos negociados.
A comercialização de títulos públicos é uma das estratégias do governo federal para captar recursos, possibilitando o pagamento de dívidas e o cumprimento de compromissos financeiros. Em contrapartida, o Tesouro Nacional devolve ao investidor o valor investido acrescido de uma remuneração, que pode ser atrelada à Selic, a índices de inflação, ao câmbio ou fixada previamente, no caso de títulos prefixados.