A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, nesta sexta-feira, a decisão que mantém o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, sob custódia. O julgamento foi realizado no plenário virtual do colegiado, encerrando-se com quatro votos favoráveis à manutenção da prisão.
Paulo Henrique Costa foi detido no dia 16 de abril, durante a quarta fase da Operação Compliance, conduzida pela Polícia Federal. As investigações da operação concentram-se em fraudes ligadas ao Banco Master, bem como na tentativa de aquisição dessa instituição financeira pelo BRB, banco estatal vinculado ao governo do Distrito Federal.
Segundo o que foi apurado, Paulo Henrique Costa teria estabelecido um acordo com o banqueiro Daniel Vorcaro para o recebimento de um montante de 146,5 milhões de reais em propina. Esse valor seria transferido ao ex-presidente do BRB por meio de imóveis.
O julgamento, iniciado na semana anterior, foi finalizado nesta sexta-feira no ambiente virtual do STF. O placar concluiu-se com quatro votos a zero em favor da prisão de Paulo Henrique Costa. Os ministros André Mendonça, que atuou como relator do caso, Luiz Fux, Nunes Marques e Gilmar Mendes formaram o conjunto de votos pela manutenção da custódia preventiva do ex-presidente do BRB.
A análise referente ao advogado Daniel Monteiro, investigado na mesma operação policial, resultou em três votos a um. Gilmar Mendes, responsável pelo último voto, manifestou posição divergente em relação aos demais ministros apenas neste ponto, sustentando que Monteiro deveria cumprir prisão domiciliar, sob monitoramento de tornozeleira eletrônica.
O ministro Dias Toffoli integra a Segunda Turma do STF, porém declarou-se suspeito para atuar no julgamento relacionado ao caso do banqueiro Daniel Vorcaro. Esse posicionamento foi adotado após a Polícia Federal comunicar ao presidente do Supremo, Edson Fachin, a existência de menções ao nome de Toffoli em conversas encontradas no aparelho celular de Vorcaro. O dispositivo foi apreendido durante a primeira etapa da Operação Compliance, realizada no ano anterior.
Em fevereiro, Dias Toffoli renunciou à relatoria do inquérito que investiga as supostas fraudes envolvendo o Banco Master. O motivo foi a comunicação feita pela Polícia Federal sobre as citações ao seu nome em mensagens resgatadas do celular de Daniel Vorcaro.
O ministro é sócio do resort Tayayá, localizado no estado do Paraná. O empreendimento foi adquirido por um fundo de investimentos ligado ao Banco Master, atualmente sob investigação da Polícia Federal.