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Saldo negativo das contas externas do Brasil em março chega a 6 bilhões de dólares

Déficit das transações correntes em março mais que dobra ante 2025 e chega a 6,036 bilhões de dólares

24/04/2026 às 18:52
Por: Redação

Em março, o Brasil registrou déficit de 6,036 bilhões de dólares nas contas externas, conforme divulgado pelo Banco Central nesta sexta-feira (24). Esse resultado representa mais que o dobro do déficit verificado no mesmo mês de 2025, quando o valor das transações correntes negativas foi de 2,930 bilhões de dólares. As transações correntes englobam compras e vendas de mercadorias, prestação e recebimento de serviços, além de transferências de renda entre o Brasil e outros países.

 

Nos três meses anteriores, o déficit vinha apresentando retração, até o aumento no mês passado. Ao considerar o acumulado de 12 meses até março, o saldo negativo das transações correntes alcançou 64,274 bilhões de dólares, o que corresponde a 2,71% do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo período encerrado em março de 2025, esse indicador estava em 74,383 bilhões de dólares, equivalente a 3,47% do PIB, o que mostra uma redução no déficit em relação ao ano anterior.

 

A ampliação do saldo negativo na comparação anual foi atribuída à diminuição de 1,6 bilhão de dólares no superávit da balança comercial de bens, impactada pelo crescimento das importações. Além disso, houve elevação de 1,1 bilhão de dólares no déficit da conta de renda primária e de 600 milhões de dólares no déficit relacionado à prestação de serviços.

 

Cenário dos investimentos externos e financiamento do déficit

 

De acordo com a avaliação do Banco Central, as contas de transações correntes mantêm um quadro robusto e, apesar do aumento observado em março, apresentam tendência de queda no déficit acumulado em 12 meses desde setembro de 2025. O órgão também destacou que o déficit das contas externas está sendo financiado principalmente por capitais de longo prazo, com destaque para o Investimento Direto no País (IDP), caracterizado por fluxos e estoques considerados de boa qualidade.

 

Em março de 2026, o IDP atingiu 6,037 bilhões de dólares, diante dos 6,295 bilhões de dólares registrados no mesmo mês do ano anterior. Sempre que o país apresenta déficit nas transações correntes, torna-se necessário recorrer a investimentos ou empréstimos vindos do exterior para cobrir esse saldo negativo. O IDP é considerado a forma mais vantajosa de financiamento, pois os recursos são direcionados ao setor produtivo nacional e normalmente envolvem compromissos de longo prazo.

 

Ao longo dos 12 meses terminados em março, os investimentos diretos somaram 75,660 bilhões de dólares, correspondendo a 3,18% do PIB, enquanto no mês anterior haviam sido registrados 75,918 bilhões de dólares (3,24% do PIB) e, no acumulado até março de 2025, 74,078 bilhões de dólares (3,45% do PIB).

 

Em relação aos investimentos em carteira realizados no mercado doméstico, houve saída líquida de 2,867 bilhões de dólares em março, sendo a maior parte desse montante referente a títulos de dívida. No acumulado de 12 meses até março, os ingressos líquidos advindos desses investimentos somaram 28,4 bilhões de dólares, contra 29,5 bilhões de dólares no período encerrado em fevereiro de 2026 e saídas líquidas de 6,8 bilhões de dólares registradas nos 12 meses terminados em março de 2025.

 

O estoque de reservas internacionais do Brasil fechou março em 362,002 bilhões de dólares, apresentando redução de 9,072 bilhões de dólares em relação ao mês imediatamente anterior.

 

Exportações, importações e detalhamento das contas externas

 

No mês passado, as exportações de bens realizadas pelo Brasil somaram 31,738 bilhões de dólares, com aumento de 9,5% sobre o volume exportado em março de 2025. Por outro lado, as importações atingiram 26,118 bilhões de dólares, alta de 19,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

 

Com esses desempenhos, a balança comercial encerrou março com superávit de 5,620 bilhões de dólares. Já em março de 2025, o resultado havia sido déficit de 7,219 bilhões de dólares.

 

A conta de serviços, que inclui despesas com viagens internacionais, transporte, aluguel de equipamentos, serviços de telecomunicação e propriedade intelectual, entre outros, registrou déficit de 4,785 bilhões de dólares no último mês, frente ao saldo negativo de 4,216 bilhões de dólares em março de 2025.

 

O déficit da conta de renda primária, composta por pagamentos de lucros, dividendos, juros e salários ao exterior, alcançou 7,384 bilhões de dólares em março de 2026, representando crescimento de 17,8% na comparação com o resultado de 6,267 bilhões de dólares no mesmo mês do ano anterior. Historicamente, essa conta permanece deficitária devido à presença expressiva de investimentos estrangeiros no Brasil, resultando no envio de lucros e dividendos para fora do país, superando os investimentos de brasileiros no exterior.

 

Já a conta de renda secundária, relacionada a transferências como doações e remessas sem contrapartida de bens ou serviços, apresentou superávit de 512 milhões de dólares em março de 2026, contra um saldo positivo de 335 milhões de dólares verificado em março de 2025.

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