A Rádio Nacional dedica a edição inédita desta quinta-feira (23), às 22h, do programa Festa do Disco ao trabalho icônico de Dom Salvador e sua banda Abolição. O pianista e compositor, hoje com 87 anos, é o convidado especial e participa de uma entrevista com a jornalista Cibele Tenório, abordando o álbum Som, Sangue e Raça, uma obra altamente valorizada por DJs e colecionadores em todo o mundo.
Dom Salvador, que reside nos Estados Unidos há mais de cinco décadas, esteve presente nos estúdios da Nacional durante uma breve visita ao Brasil. O instrumentista conquistou reconhecimento na cena musical brasileira por sua inovadora fusão de soul e funk com samba-jazz, um estilo que marcou a transição da década de 1960 para os anos 1970.
Lançado em 1971 pela gravadora CBS, o disco Som, Sangue e Raça tornou-se uma raridade no mercado fonográfico internacional. Suas reedições recentes confirmam a atemporalidade do trabalho, que continua relevante. A faixa de maior destaque do álbum, Uma Vida, composta por Arnoldo Medeiros e Dom Salvador, será a canção de abertura desta edição especial do Festa do Disco.
Autodidata, Dom Salvador aprimorou sua arte absorvendo influências do jazz, samba e soul. Ele colaborou com grandes nomes da música nacional, incluindo Elis Regina e Wilson Simonal.
A verdadeira expressão artística do músico surgiu com a fundação da banda Abolição, um grupo de black power. Em um período de ditadura, a banda utilizou a afirmação da identidade negra como um ato de resistência, desenvolvendo uma sonoridade única que mesclava jazz, funk e soul com elementos do samba e baião.
Embora a Abolição tenha tido uma duração curta, seu impacto foi significativo para a música brasileira. Integrantes como o saxofonista Oberdan Magalhães e o baterista Luiz Carlos “Batera” deixaram o conjunto para formar a aclamada Banda Black Rio, que se destacou na segunda metade dos anos 1970, reverberando a influência pioneira da Abolição.