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Milei restringe entrada de jornalistas na Casa Rosada após polêmica com imprensa

Governo da Argentina alega segurança nacional para barrar imprensa após polêmica com uso de óculos inteligentes em reportagem

24/04/2026 às 21:42
Por: Redação

O presidente da Argentina, Javier Milei, determinou o bloqueio da entrada de jornalistas credenciados nas dependências da Casa Rosada, sede do governo federal situada em Buenos Aires. Essa decisão foi justificada pelo governo como uma medida para preservar a segurança nacional, motivada pelo episódio recente em que uma emissora de televisão exibiu imagens internas do Palácio obtidas por meio de óculos inteligentes.

 

De acordo com informações oficiais, o governo argentino classificou a gravação das imagens como uma prática de espionagem ilegal. Após o episódio, Javier Milei fez críticas públicas à emissora envolvida, chegando a se referir aos jornalistas como "lixo nojento". O presidente tem protagonizado uma série de confrontos com profissionais da imprensa, dirigindo ofensas tanto em entrevistas quanto em publicações em redes sociais.

 

Os jornalistas que possuem credenciamento para atuar na Casa Rosada divulgaram uma nota conjunta manifestando oposição à restrição de acesso. No comunicado, os profissionais afirmam que a medida representa um ataque explícito tanto à liberdade de imprensa, quanto à atividade jornalística e ao direito da sociedade de ser informada.

 

"Negar o acesso aos repórteres sugere um ataque explícito à liberdade de imprensa, à prática do jornalismo e ao direito do público de acessar as informações", defenderam os profissionais.


 

A Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas (Adepa) também se pronunciou por meio de nota, expressando máxima preocupação com a decisão anunciada pelo governo de Javier Milei. A entidade destaca que não há precedentes democráticos no país para esse tipo de iniciativa e solicita que a proibição seja revista com urgência, visando garantir o exercício pleno da liberdade de imprensa.

 

A deputada federal Mónica Frade, integrante da oposição ao governo atual, enfatizou que nem mesmo durante o regime militar foi aplicada restrição semelhante ao acesso de jornalistas à sede do governo argentino. Para ela, a medida revela a fragilidade da democracia no país.

 

“O fechamento do comitê de imprensa da Casa do governo em um país democrático é o pior símbolo possível da fragilidade da democracia argentina”, afirmou.


 

As informações contidas nesta reportagem incluem dados fornecidos durante a programação do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil.

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