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ONU alerta: Guerra no Irã empurra 30 milhões de pessoas para a pobreza

A escassez de fertilizantes e combustível, agravada pelo bloqueio no Estreito de Ormuz, já impacta a produção agrícola e o Produto Interno Bruto mundial.

23/04/2026 às 19:11
Por: Redação

Os impactos da guerra no Irã deverão levar mais de 30 milhões de indivíduos de volta à condição de pobreza, conforme alertou Alexander De Croo, chefe de Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU), na última quinta-feira, dia 23. Entre os fatores que contribuem para essa regressão social estão as interrupções significativas no abastecimento de combustível e de fertilizantes.

 

De Croo, que também atua como administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), comunicou à agência Reuters que a diminuição na disponibilidade de fertilizantes, intensificada pelo bloqueio de embarcações de carga no Estreito de Ormuz, já resultou em uma queda na produtividade agrícola global.

 

O ex-primeiro-ministro belga ressaltou que tal cenário provavelmente comprometerá a produção de alimentos em escala global nos próximos meses do ano.

 

A insegurança alimentar atingirá seu nível máximo em alguns meses, e não há muito que se possa fazer a respeito.

 

Alexander De Croo detalhou outras consequências diretas da crise, incluindo a escassez de energia e a diminuição das remessas de dinheiro. Ele enfatizou que, mesmo com o fim imediato do conflito, os impactos já estão consolidados.

 

Mesmo que a guerra parasse amanhã, esses efeitos já estão presentes e empurrarão mais de 30 milhões de pessoas de volta à pobreza.

 

É relevante notar que uma parcela significativa da produção mundial de fertilizantes tem origem no Oriente Médio, com aproximadamente um terço dos suprimentos globais transitando pelo Estreito de Ormuz, uma região estratégica onde Irã e Estados Unidos mantêm uma disputa por controle.

 

Organismos internacionais, como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e o Programa Mundial de Alimentos da ONU, emitiram alertas este mês sobre a probabilidade de a guerra causar um aumento nos preços dos alimentos, intensificando a pressão sobre as comunidades mais vulneráveis globalmente.

 

Segundo De Croo, os efeitos colaterais do conflito já resultaram na perda de uma estimativa entre 0,5% e 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

 

Coisas que levam décadas para serem acumuladas, são necessárias oito semanas de guerra para destruí-las.

 

A complexidade da crise impõe uma sobrecarga aos esforços humanitários, visto que o financiamento disponível está em declínio, enquanto as necessidades se expandem em regiões já impactadas por emergências severas, como Sudão, Gaza e Ucrânia.

 

Diante da diminuição dos recursos, o chefe de Desenvolvimento da ONU expressou uma dura realidade:
Teremos que dizer a certas pessoas: sinto muito, mas não podemos ajudá-los.

 

Ele concluiu que isso terá um impacto devastador.

 

As pessoas que estariam sobrevivendo com ajuda não terão isso e serão empurradas para uma vulnerabilidade ainda maior.

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