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Empresa será autuada após morte de operário em montagem de palco para show de Shakira

Crea-RJ identifica ausência de registro e responsável técnico; polícia trata caso como possível homicídio culposo ou acidente.

28/04/2026 às 02:34
Por: Redação

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ) anunciou nesta segunda-feira, 27 de abril, que irá autuar e aplicar multa à empresa MG Coutinho Serviços Cenográficos. A decisão ocorre em decorrência do falecimento de um trabalhador durante as atividades de montagem do palco destinado ao show da cantora Shakira, programado para acontecer na Praia de Copacabana no próximo sábado, dia 2.

 

De acordo com informações repassadas pela entidade, fiscais do Crea-RJ identificaram que a MG Coutinho Serviços Cenográficos não possui registro ativo junto ao conselho para executar serviços de engenharia, além de não contar com um profissional responsável tecnicamente pelas operações.

 

O acidente aconteceu no domingo, 26 de abril, quando Gabriel de Jesus Firmino, de 28 anos, que atuava como serralheiro, sofreu esmagamento nas pernas durante o processo de elevação de uma estrutura utilizada no palco. O trabalhador foi socorrido por colegas antes da chegada do Corpo de Bombeiros e, na sequência, encaminhado ao Hospital Municipal Miguel Couto, localizado no Leblon. Apesar dos esforços, ele não sobreviveu aos ferimentos.

 

Desde o dia 7 de abril, os fiscais do Crea-RJ acompanham presencialmente a etapa de montagem do palco na Praia de Copacabana. Após o ocorrido, as equipes estiveram novamente no local nesta segunda-feira para apurar as circunstâncias e coletar informações detalhadas sobre o acidente que resultou na morte do operário.

 

O Crea-RJ também encaminhou um ofício à empresa Bônus Track, responsável pela produção do evento musical, solicitando o envio da lista completa de empresas e profissionais técnicos contratados para a execução de serviços de instalação e manutenção relacionados ao show de Shakira. Além disso, foram requeridos documentos como contratos de prestação de serviço e notas fiscais referentes às atividades técnicas envolvidas. A empresa produtora do evento tem o prazo de quatro dias, contado a partir desta segunda-feira, para apresentar as informações exigidas.

 

A MG Coutinho Serviços Cenográficos foi buscada para prestar esclarecimentos sobre o incidente, porém não houve retorno até a conclusão da reportagem. Em contrapartida, a empresa Bônus Track, em comunicado direcionado à imprensa acerca do falecimento do trabalhador, declarou pesar pelo ocorrido e afirmou estar prestando assistência à família da vítima.

 

Autoridades investigam responsabilidades pelo acidente

 

O caso está sob investigação da Polícia Civil, sob responsabilidade do delegado Ângelo Lages, titular da Delegacia Policial de Copacabana. Ele relatou que os trabalhos seguem com a possibilidade de enquadrar a morte do trabalhador como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, ou como acidente de trabalho.

 

"Vamos trabalhar com as duas possibilidades e concentrar os trabalhos no equipamento."

 

O delegado acrescentou que o inquérito irá apurar se houve descumprimento de normas de segurança, imprudência, negligência ou falha relacionada ao dever de cuidado na operação do sistema de elevação do palco.

 

“Em princípio, o que a gente entendeu foi que ele [Gabriel] estava soldando uma peça e teria dado um comando para um outro operador baixar o elevador, e ele acabou prensado entre os dois equipamentos”.

 

A perícia técnica da Polícia Civil esteve novamente no local do acidente nesta segunda-feira, dia 27. O delegado Ângelo Lages informou que a expectativa é de que todos os detalhes do caso sejam esclarecidos no prazo de um mês e que o laudo pericial deverá ser concluído em até trinta dias.

 

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