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Orquestra Pizindim celebra choro com álbum e single inédito em Brasília

Grupo de Brasília lança single e anuncia show de pré-estreia do disco que resgata arranjos de Pixinguinha e apresenta novas composições.

23/04/2026 às 12:48
Por: Redação

A Orquestra Pizindim, de Brasília, marca o Dia Nacional do Choro nesta quinta-feira (23) com o lançamento do single “O pulo do sapo”, já disponível nas plataformas digitais sonoras. A composição, um maxixe de autoria do cavaquinista do conjunto, Leonardo Benon (Léo Benon), homenageia Evandro Barcellos (1961-2016), figura importante na criação do Clube do Choro em Brasília no ano de 1977.

 

Este lançamento representa a primeira faixa divulgada do álbum de estreia da Orquestra Pizindim, um grupo composto por 13 musicistas fixos. Considerada a primeira orquestra dedicada ao choro na capital federal, o conjunto é formado por virtuosos instrumentistas de sopro, cordas e percussão.

 

Embora o álbum ainda esteja em fase final de produção e sem data definida para lançamento oficial, algumas de suas faixas, incluindo “O pulo do sapo”, serão apresentadas ao vivo na Escola de Música de Brasília. O evento ocorrerá no Teatro Levino de Alcântara, amanhã, sexta-feira (24), às 20h, oferecendo a primeira chance de ouvir as músicas em primeira mão.

 

A Orquestra Pizindim formou-se há três anos, reunindo-se inicialmente para celebrar o Dia Nacional do Choro, da mesma forma que o faz agora. A data comemorativa foi instituída oficialmente no ano 2000, resultado de uma iniciativa do bandolinista Hamilton de Holanda, em um período em que residia na cidade de Brasília.

 

Homenagem a Pixinguinha

 

O nome da Orquestra Pizindim presta homenagem direta a Alfredo da Rocha Vianna Filho (1897-1973), mais conhecido como Pixinguinha, instrumentista, compositor e maestro. “Pizindim” era o apelido de infância do artista, que se tornou um dos maiores nomes da música brasileira.

 

O trabalho da orquestra se concentra em resgatar um aspecto menos conhecido do legado de Pixinguinha: sua vasta produção como arranjador, desenvolvida desde o final da década de 1920 até os anos 1950.

 

“Acho que só quem é do universo do choro é que sabe de fato quem é Pixinguinha e qual é a sua importância. A maioria das pessoas o conhece apenas como o compositor de ‘Carinhoso’”, explica Bruno Patrício, saxofonista, diretor musical da Orquestra Pizindim e produtor executivo do álbum.

 

Arranges redescobertos

 

Três faixas já gravadas para o álbum da Orquestra Pizindim destacam os arranjos de Pixinguinha. Duas delas são a valsa “Só tu não sentes” e a marchinha “Tenho um desejo”, ambas compostas por um pianista carioca conhecido como J. F. Fonseca Costa, ou simplesmente “Costinha”.

 

Contemporâneo de Ernesto Nazareth (1863–1934), Costinha era funcionário da Estrada de Ferro Central do Brasil, uma via que conectava Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais e que, na época, empregava muitos chorões. Entre eles estavam o violonista Satyro Bilhar (1848-1926) e os compositores Cândido das Neves (1899-1934) e Juca Kalut (1857-1822).

 

As partituras dos arranjos de Pixinguinha para essas duas músicas, datadas de 1957, foram encontradas e preservadas no acervo do Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro. Bruno Patrício ressalta que são “dois arranjos inéditos para músicas, praticamente, inéditas”, com pouquíssimas gravações que hoje se encontram esquecidas.

 

Outra obra resgatada pela Orquestra Pizindim, com arranjo de Pixinguinha, é a polca "Alfredinho no Choro". Originalmente gravada em 1910, a música de Alfredinho Flautim (nome artístico de Alfredo José Rodrigues, 1894-1958) recebeu um novo arranjo de Pixinguinha em 1949.

 

Repertório de Pixinguinha

 

O próprio repertório de Pixinguinha está presente em duas faixas do álbum. Uma delas é o maxixe “Dando topada”, que integrou a trilha sonora de “Um dia qualquer”, o primeiro filme de ficção produzido no Pará, dirigido por Líbero Luxardo em 1965.

 

Segundo Bruno Patrício, o nome da música provavelmente se deve às pausas abruptas em sua execução. “Sempre tem uma topada ali para todos os instrumentos”, complementa.

 

A outra música de Pixinguinha no álbum e no show da Orquestra Pizindim é o choro “Carinhoso”. Embora seja uma das canções mais regravadas no Brasil, sua trajetória até o sucesso foi complexa. Composta em 1917, só foi gravada em disco em 1928 e, inicialmente, foi mal recebida pela crítica, que apontava uma suposta influência do jazz. O sucesso veio apenas em 1937, de forma inesperada, com a interpretação de Orlando Silva, o “cantor das multidões”, que a gravou um ano depois de João de Barro (Braguinha) ter adicionado a letra para uma inclusão no espetáculo “Parada das Maravilhas”.

 

Diante da rica e variada história de “Carinhoso”, Bruno Patrício decidiu criar um arranjo que combinasse elementos de diversas montagens musicais da canção. “Fui pescando o que eu achava de mais representativo”, relata.

 

Choro atual

 

Além de revisitar o cancioneiro brasileiro, a Orquestra Pizindim demonstra a vitalidade contemporânea do choro com composições de seus próprios integrantes. Exemplos são “O pulo do sapo” (de Léo Benon), “Salve João da Baiana” e “Maxixe Pizindim”, estas duas últimas criadas por Bruno Patrício.

 

O álbum também inclui faixas de Paulinho da Viola e Hamilton de Holanda. Do bandolinista, a Pizindim interpreta “Maxixe do César”, uma homenagem de Hamilton ao seu irmão Fernando César, violonista de 7 cordas da orquestra e nome essencial na lista dos grandes chorões da atualidade.

 

A escolha de Paulinho da Viola é o choro “Só o tempo”, composta em 1982. A letra da música explora temas de aprendizado amoroso e o “saldo de sentimentos” acumulados ao longo da vida. Na gravação, todos os naipes da Pizindim acompanham a cantora Ana Reis, também de Brasília, que faz parte da história do choro.

 

As gravações do álbum da Pizindim tiveram início em novembro do ano passado, com financiamento do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal. A orquestra planeja lançar uma versão física em LP e realizar uma turnê por capitais estaduais para apresentar sua interpretação do gênero, caso consiga patrocínio em outros editais culturais.

 

Programação

 

Orquestra Pizindim

 

- Single “O pulo do sapo” (de Léo Benon), disponível hoje nas plataformas sonoras.

 

- Show de pré-lançamento: Escola de Música de Brasília (Teatro Levino de Alcântara), localizado no SGAS II SGAS Quadra 602, amanhã (sexta-feira, 24), às 20h.

 

- A Orquestra Pizindim é composta por:

 

Adil Silva (bombardino e trombone)

 

Alex Diego (1º trompete)

 

André Lindolpho (Sousafone)

 

Bruno Patrício (saxofone e direção musical)

 

Enrique Sanches (listado)

 

Fernando César (violão 7 cordas)

 

Israel Ronner (tuba)

 

Jéssica Carvalho (percussão)

 

Juninho Alvarenga (percussão)

 

Júnior Viegas (percussão)

 

Leander Motta (bateria)

 

Léo Benon (cavaquinho)

 

Nathália Marques (percussão)

 

Peniel Ramos (2º trompete)

 

Renata Menezes (clarineta)

 

Sérgio Morai (flauta e flautim)

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