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Ataques no Líbano matam brasileiros e revelam rotina de violência

Família brasileira morreu em bombardeio no sul do Líbano; outro filho sobreviveu ao ataque.

28/04/2026 às 23:43
Por: Redação

A brasileira Manal Jaafar e o marido, Ghassan Nader, de nacionalidade libanesa, morreram em um ataque atribuído a Israel ocorrido no sul do Líbano no último domingo, dia 26. O casal havia retornado ao país de origem após doze anos vivendo no Brasil, com o objetivo de proporcionar estabilidade e melhores condições para a família.

 

O casal tinha dois filhos, ambos brasileiros. Durante o bombardeio, um dos filhos, de 11 anos, também perdeu a vida. O outro filho estava presente no local no momento do ataque, sobreviveu e foi levado ao hospital.

 

O jornalista libanês Ali Farhat, que era amigo de Ghassan Nader, relatou o impacto da notícia entre os membros da comunidade libanesa. Ele destacou que tragédias desse tipo são recorrentes na região e que mais de 2,5 mil libaneses já perderam a vida, a maior parte deles civis que não têm qualquer relação com o conflito armado na área.

 

“A gente recebeu a notícia com muito sofrimento e muita tristeza. É essa notícia que a comunidade [libanesa] recebe todos os dias sobre familiares, parentes e amigos. O Líbano já perdeu mais de 2,5 mil vítimas. A grande maioria são civis, não tem nada a ver com essa guerra, não tem culpa nenhuma.”


 

Segundo o jornalista, a decepção na comunidade foi profunda, pois a família de Manal Jaafar já havia deixado a residência em razão dos frequentes ataques, mas retornou ao local devido ao cessar-fogo que estava em vigor.

 

Ali Farhat classificou os ataques israelenses como um massacre, afirmando que Israel vem destruindo não apenas a infraestrutura do Líbano, como também sua memória coletiva, locais religiosos, cemitérios e residências civis. Para o jornalista, não há pontos seguros nem no sul do país, nem mesmo na capital Beirute. Ele comparou a atual situação com operações militares semelhantes realizadas na Faixa de Gaza.

 

A família de Ghassan Nader e Manal Jaafar era parte ativa da comunidade libanesa em Foz do Iguaçu, no Paraná, onde eram conhecidos e estimados.

 

“O plano dele era fazer uma vida estável no Líbano, com a renda que ele tinha conseguido [trabalhando no comércio aqui no Brasil]. Ele queria cuidar mais da vida dele e da família dele, queria fazer algo bem leve para conseguir dar mais tempo para os estudos e para a vida social.”


 

Ali Farhat permanece há 25 anos no Brasil e conta que Ghassan era empresário, atuava como ativista humanitário e participava ativamente de eventos sociais da comunidade libanesa. Além disso, era reconhecido por seu interesse em temas culturais e econômicos, tendo inclusive produzido um livro sobre a crise da economia global e concedido entrevistas sobre o assunto. Sua atuação era restrita à área civil, sem envolvimento com questões governamentais ou militares.

 

Bombardeios intensificam insegurança para civis

 

O Líbano enfrenta uma sequência de ataques atribuídos a Israel, no contexto de uma ofensiva militar conduzida por Israel e Estados Unidos na região. A família brasileira foi atingida em sua casa, situada no distrito de Bint Jeil, que fica ao sul do território libanês. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil confirmou a ocorrência do ataque na noite de segunda-feira, dia 27.

 

Ali Farhat destacou que os bombardeios realizados por Israel não diferenciam alvos militares de civis e ocorrem sem aviso prévio. Conforme dados do Ministério da Saúde do Líbano citados pelo jornalista, a maioria das vítimas dos ataques são civis que estavam em suas residências, como ocorreu com a família de Ghassan e Manal, e com tantas outras famílias atingidas.

 

A integrante da comunidade libanesa no Brasil, Melina Manasseh, vinculada à Federação Árabe da Palestina no Brasil, afirmou que a atual presença militar de Israel no Líbano reflete a mesma política de ocupação e expansionismo praticada na Palestina. Ela expressou sua tristeza diante da morte dos brasileiros e ressaltou que a atuação militar de Israel já se estendeu ao sul do Líbano por dezoito anos.

 

“Não é a primeira vez que um brasileiro é morto pelas forças da ocupação. Israel nunca cumpriu uma única resolução da ONU quanto à Palestina e ocupou de forma militar o sul do Líbano por 18 anos. A ocupação militar não é a mesma que hoje se preconiza. Essa ocupação de hoje é a mesma que se dá na Palestina, ocupação de assentamento.”


 

Melina Manasseh tem familiares residentes tanto no norte do Líbano quanto na capital Beirute, e observou que, apesar do ocorrido, não houve grande mobilização da comunidade no Brasil após as mortes. Segundo ela, libaneses e palestinos demonstram orgulho e otimismo frente à crise, acreditando que o conflito terá fim em breve, embora reconheça a falta de organização da diáspora libanesa, que reúne cerca de nove milhões de descendentes no Brasil.

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