LogoDiário de Sampa

Enviado de Trump propõe Itália no lugar do Irã na Copa do Mundo

Paolo Zampolli, enviado de Trump, defende inclusão da Itália na vaga iraniana no Mundial, gerando críticas de autoridades.

23/04/2026 às 21:45
Por: Redação

Paolo Zampolli, um ítalo-americano que atua como enviado especial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou suas redes sociais nesta quinta-feira (23) para compartilhar uma entrevista concedida ao jornal italiano Corriere della Sera. Na ocasião, Zampolli confirmou ter proposto que a seleção da Itália ocupe a vaga do Irã na Copa do Mundo programada para este ano.

 

Natural de Milão e residente nos Estados Unidos desde a década de 1990, Zampolli descreveu a informação como uma “Notícia real”.

 

A sugestão foi apresentada diretamente a Gianni Infantino, presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa). A seleção italiana, conhecida como Azzurra, não conseguiu se classificar para a Copa do Mundo pela terceira edição consecutiva, tendo sido eliminada nos pênaltis pela Bósnia e Herzegovina durante a repescagem das eliminatórias europeias. A Fifa, contatada pela Agência Brasil para comentar o assunto, não emitiu posicionamento.

 

Em entrevista prévia ao jornal norte-americano Financial Times, na quarta-feira (22), o enviado do governo Trump já havia expressado que seria um “sonho” presenciar a seleção de seu país de origem competindo na Copa, que terá Estados Unidos, México e Canadá como sedes. Segundo Zampolli, os quatro títulos mundiais conquistados pela Itália — em 1934, 1938, 1982 e 2006 — seriam justificativa para a inclusão da equipe.

 

A proposta, no entanto, foi recebida com desaprovação por autoridades italianas. Em um evento realizado em Roma nesta quinta-feira, Andrea Abodi, Ministro do Esporte e da Juventude, classificou a fala de Zampolli como “inoportuna”. Também na capital italiana, Luciano Buonfiglio, presidente do Comitê Olímpico da Itália, declarou que seria uma “ofensa” para a Azzurra participar do Mundial dessa maneira. Ambos concordaram que a classificação para o torneio deve ser conquistada em campo.

 

A participação do Irã no Mundial foi questionada devido ao conflito com os Estados Unidos. A seleção asiática tem todos os seus três jogos da fase de grupos agendados para ocorrer em território norte-americano.

 

A estreia do Irã está marcada para o dia 15 de junho, contra a Nova Zelândia, em Los Angeles. Seis dias depois, em 21 de junho, os iranianos enfrentarão a Bélgica, na mesma cidade. Posteriormente, em 27 de junho, o confronto será contra o Egito, em Seattle.

 

O México chegou a oferecer-se para sediar as partidas do Irã como alternativa aos Estados Unidos, mas a proposta não foi aceita pela Fifa. A entidade, por sua vez, mantém-se otimista quanto à participação dos asiáticos no Mundial, conforme os locais estabelecidos no sorteio dos grupos, realizado em dezembro do ano passado.

 

De acordo com a reportagem do Corriere della Sera, a iniciativa de Zampolli transcende o âmbito esportivo. O objetivo seria também reaproximar Donald Trump do eleitorado ítalo-americano, após manifestações do ex-presidente consideradas contrárias ao Papa Leão XIV, além de buscar reestabelecer as relações com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que foram abaladas em meio à guerra.

© Copyright 2025 - Diário de Sampa - Todos os direitos reservados