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Conflito no Oriente Médio eleva dólar a R$ 5 e derruba bolsa brasileira

Falas de Trump e Irã sobre cessar-fogo ampliam aversão ao risco, impulsionam cotação da moeda americana e elevam preços do petróleo.

24/04/2026 às 01:46
Por: Redação

Os mercados financeiros brasileiros registraram forte volatilidade nesta quinta-feira (23), com o dólar encerrando o dia acima da marca de cinco reais e a bolsa de valores em queda, refletindo a intensificação da aversão ao risco global diante das crescentes incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio.

 

A moeda estadunidense fechou a 5,003 reais, apresentando uma valorização de 0,029 reais (+0,62%) em relação ao dia anterior. Simultaneamente, o principal indicador da bolsa de valores do Brasil, o Ibovespa, registrou uma baixa de 0,78%, finalizando o pregão aos 191.378,43 pontos.

 

Cenário geopolítico impulsiona o dólar

 

A cotação do dólar inverteu sua trajetória ao longo da quinta-feira. Após operar em declínio durante grande parte da manhã, a moeda ganhou força considerável no período da tarde, impulsionada pela busca global por ativos considerados mais seguros.

 

Essa reviravolta foi diretamente atribuída a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e de autoridades iranianas, que geraram dúvidas sobre a viabilidade de um possível acordo de cessar-fogo na região.

 

Donald Trump afirmou que qualquer acordo com o Irã seria efetivado apenas quando fosse “apropriado” para os interesses norte-americanos. Em contrapartida, o governo iraniano manifestou um posicionamento mais incisivo, e surgiram relatos de que suas defesas aéreas haviam sido ativadas, elevando o nível de tensão.

 

A variação do dólar à vista foi notável, partindo de uma mínima de 4,94 reais no início da tarde para alcançar o pico de 5,018 reais por volta das 16h40, antes de moderar sua alta no fechamento do pregão. No mercado futuro, o contrato para o mês de maio registrou um avanço de 0,74%.

 

No contexto internacional, o índice que monitora o desempenho do dólar em comparação com outras moedas de referência também apresentou elevação, refletindo a mesma postura de cautela global. Além disso, dados divulgados pelo Banco Central brasileiro indicaram uma saída líquida de 3,2 bilhões de dólares do país até o dia 17 de abril, contribuindo para o fluxo negativo observado desde o início do conflito.

 

Ibovespa recua acompanhando mercados globais

 

O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, espelhou a tendência de queda observada nos mercados internacionais. A retração foi influenciada pelo aumento das tensões no Oriente Médio e pela desvalorização das bolsas de Nova York.

 

Durante o dia, o índice oscilou entre a mínima de 190.929 pontos e a máxima de 193.346 pontos, com um volume financeiro total de 24,9 bilhões de reais.

 

O clima de maior risco foi acentuado por movimentações militares e estratégicas na região do Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial para o transporte global de petróleo. A apreensão de navios por parte do Irã e as ameaças militares emitidas pelos Estados Unidos intensificaram as preocupações dos investidores.

 

Petróleo registra forte valorização

 

O preço do petróleo experimentou uma forte valorização, impulsionado pelo agravamento das tensões no Oriente Médio e pelos temores crescentes em relação ao fornecimento global do combustível.

 

O barril do tipo Brent, referência nas transações internacionais, fechou o dia negociado a 105,07 dólares, com um aumento de 3,1%. Já o petróleo WTI registrou uma alta de 3,11%, atingindo 95,85 dólares. Ao longo da jornada, os preços chegaram a subir aproximadamente 5 dólares por barril.

 

O mercado reagiu a múltiplos eventos, incluindo relatos de confrontos internos no Irã, ataques aéreos e a renúncia de um negociador-chave envolvido nas conversações indiretas com os Estados Unidos. Adicionalmente, o reforço do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, que responde por cerca de 20% do fluxo global de petróleo, intensificou o receio de interrupções no abastecimento.

 

A combinação de incertezas geopolíticas, as restrições no transporte marítimo e as declarações contraditórias de autoridades mantêm os mercados em um patamar de alta volatilidade.

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